Por Krishna Aum*
Chegamos a Paragominas às pressas, por volta das 22h, ávidos para ver a primeira partida das quartas-de-final da Taça Libertadores da América, entre Vasco e Corinthians. A ansiedade para ver o jogo, junto ao breu noturno, ofuscaram o que no dia seguinte ficaria bem claro – a prosperidade daquela cidade.
Ao amanhecer, a caminho do Escritório Regional do Capim, uma grande surpresa ocorreu quando uma senhora e seu esposo atravessaram a faixa de pedestre e todos os carros, educadamente, e conforme previsto na legislação de trânsito, aguardaram os idosos concluírem a travessia. Confesso que nunca tinha visto essa cena em nenhuma outra cidade fora Brasília.
Admirado, comecei a prestar mais atenção em outros detalhes que não menos despertaram meu interesse. Não havia, nas ruas, flanelinhas; nenhum muro pichado; todos os motoristas usando cinto de segurança e os motoqueiros com capacete; índice de violência desprezível, a ponto de andarmos na rua já tarde da noite a pé e sentirmos total sensação de segurança; baixo nível de desemprego; ampla oferta de produtos e serviços, com um comércio varejista ativo e pujante; construção de um Shopping Center em vias de ser iniciada; e o melhor de tudo: caso se encontre uma criança na rua, vendendo ou perambulando sem destino, a polícia a recolhe, pergunta onde é a sua casa, a conduz até lá, conversa com os pais ou responsáveis e o notificam para que isso não ocorra novamente.
Ao me deparar com os dados sócio-econômicos do município, a desconfiança ganhou corpo. Como o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil pode ser 0,72 e o de Paragominas 0,69? Os critérios que definem o IDH são expectativa de vida, escolaridade e PIB per capita. Acredito que esses indicadores sejam maiores em Paragominas do que os da média nacional. Mas, enfim, polêmica à parte, talvez haja influência dos resultados dos 19 outros municípios circunvizinhos que compõem a área denominada Território da Cidadania Nordeste Paraense.
Paragominas é uma cidade planejada. Seu projeto urbanístico concorreu com o de Lúcio Costa para Brasília, no final da década de 50
do século passado. Como não foi contemplado, aproveitaram-no em Paragominas. O resultado foi uma cidade em formato hexagonal, com ruas amplas cujos nomes são parecidos com os da capital federal. Por exemplo, lá existe uma avenida chamada W-3. A praça central da cidade de 100.000 habitantes funciona com um pólo convergente com as principais ruas partindo dali como raios delineadores de um sistema viário eficaz.
Vários são os fatores responsáveis pelo desenvolvimento territorial nessa localidade. Mas um merece destaque. A atuação do prefeito Adnan Demachki, advogado de profissão e político por vocação, que está no seu segundo mandato. Há sete anos consecutivos vencedor do prêmio melhor gestor de merenda escolar municipal, oferecido pelo Governo Federal, em função de todas as escolas públicas municipais serem abastecidas por agricultores familiares locais com hortaliças, frutas e verduras orgânicas. Vale lembrar também que foi vencedor, em várias edições, do prêmio Prefeito Empreendedor, promovido pelo Sebrae.
Ao passarmos pela bela orla do lago construído recentemente, rumamos para um projeto que encheu meus olhos.Talentos em Movimento é uma associação de 10 artesãs, todas capacitadas pelo Sebrae e mantidas pela mineradora Hydro. Fundada na Noruega há 105 anos e presente no Brasil há algumas décadas, a Hydro desenvolveu uma espécie de joint venture com a Vale, em Paragominas, para extração da bauxita, minério que dá origem ao alumínio.
A Hydro viabiliza e financia a Talentos em Movimento ao fornecer todo o suporte necessário de infra-estrutura para a manutenção da associação. Eles disponibilizam um espaço físico para produção e comercialização dos produtos, custeiam o condomínio, água e luz, além de ajudar nas despesas de transporte para eventos de capacitação das artesãs, como foi o caso da ExpoBrasil Desenvolvimento Territorial, evento realizado em Brasília e que contou com a presença do grupo.
A associação produz ecobags, biojóias, brindes corporativos, utensílios em madeira e diversos materiais têxteis, como panos de prato, camisetas e bonecos de tecido. A grande sacada desse projeto, que o categoriza como Sustentável, com S maiúsculo, é o fato da Hydro comprar boa parte dessa produção. Ou seja, investe-se na comunidade, oferece oportunidades sustentáveis de melhoria na qualidade de vida das pessoas e depois adquire o resultado final da produção, perpetuando o ciclo produtivo. Como dizia um amigo meu: do baralho! Assistencialismo zero!
Em seguida passamos por um condomínio popular – Morada do Sol – financiado pelo programa da Caixa Econômica Federal Minha Casa Minha Vida. Cerca de mil famílias assistidas. De fato, uma realidade transformada. O resgate da dignidade de muita gente ali, na minha frente, visto a olho nu. Como o desenvolvimento local é uma teia articulada de maneira sinérgica e simbiótica, em que o tecido social é costurado por várias mãos, o Sebrae já mapeou e definiu um cronograma de formalização dos inúmeros empreendedores individuais residentes naquele local. As casas das famílias se transformaram em salões de beleza, padaria, mercadinho, lava-jato e em alguns outros pequenos negócios informais. Um prato cheio para o Sebrae marcar presença.
Já na estrada em direção a Belém para pegar o vôo de volta para casa, entre um pensamento e outro, vinha à mente cenas daqueles dois dias em Paragominas, como se pessoas de diferentes classes, origens e instituições estivessem numa grande ciranda, de mãos dadas, a sorrir e a cantar, em prol do desenvolvimento e do bem-estar coletivo. Um exemplo e tanto.
* Analista da Unidade de Desenvolvimento Terriotiral









Muito bom o seu relato. Super interessante conhecer realidades diferentes e iniciativas que dão super certo!
Moro em Belém do Pará, mais já tive a oportunidade de conhecer Paragominas, é uma cidade realmente com grande potencial. Gostaria de uma dia ver Belém seguindo por este caminho (cidadania, segurança, educação no trânsite, limpeza)
Julio, concordo com você, queria ver Belém desse mesmo jeito. Paragominas é uma cidade maravilhosa, PERFEITA. Adorei um post, muito boa avaliação do municio verde. Já morei em Paragominas e realmente mudou muito com os prefeitos Sidney e Adnan. O atual prefeito Adnan Demachki, tem uma mente brilhante, e a visão que todo político deveria ter. Paragominas já é copiada pelos municípios paraenses, mas acho particularmente que todas as cidades não só do Brasil, porém de todo o mundo devem seguir o exemplo dessa Belíssima cidade. Parabéns ao querido prefeito e a população que é a parte mais importante desse processo, se a população não tivesse sido educada seria hoje mais uma das cidades brasileiras sujas, bagunçadas e com políticos corruptos.
Krishna, esse tipo de relato, me motiva muito mais ainda, a continuar a alargar os sonhos empreendedores do cliente SEBRAE.
Sds.
Norma Oliveira
Gestora do Projeto UDT-PA
ER-CAPIM NORDESTE PARAENSE.
Você está desenvolvendo um excelente trabalho, Norma.
Continue assim. Seu trabalho é muito valioso e importante para nós.
Parabéns.
SANDRA MOREIRA
Khishna, a sua visita a nossa cidade, foi maravilhosa! nós do TALENTOS EM MOVIMENTO, ficamos muito grata com sua visita ao atelier. Linda a materia!
Volte sempre!
Ola, Sandra.
Vocês estão de parabéns.
Excelente o projeto. Fiquei entusiasmado com o que vi.
Grande abraço, Krishna
Uai já que Você acha essa cidade tão linda e próspera, faça uma mudança de sua cidade atual para cá. Aí Eu quero ver esse teu discurso furado de novo!
Vale ressaltar que tudo começou lá em 2000, com uma iniciativa do SEBRAE e prefeitura na gestão de Sidney Rosa, implantado o programa SEBRAE de desenvolvimento Local – PSDL, que implantou na cidade um projeto denominado DLIS, Desenvolvimento Local Integrado e Sustentável, projeto acompanhado de perto pelo atual gestor que abraçou e a idéia e apesar do prjeto DLIS ter acabado Adnan continua com a ideia de sustentabilidade que é o que mais chama atenção em Paragominas.
Hélio Nobre
Filho de paragominas
NÃO É QUALQUER GESTOR QUE CONSEGUE UNIR UMA POPULAÇÃO À UMA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, E ADNAN CONSEGUIU ISSO COM MUITA INTELIGÊNCIA E SUCESSO. FUI MORADORA DE PARAGOMINAS POR 20 ANOS, HOJE ME ENCONTRO MORANDO EM BELÉM E VEJO UM CONTRASTE MUITO GRANDE ENTRE CAPITAL E INTERIOR. ANTIGAMENTE QUEM MORAVA NA CAPITAL ERA VISTO COMO, IMPORTANTE, CHIC, INTELIGENTE, E POR AÍ VAI. ACREDITAVA-SE QUE PESSOAS QUE MORAVAM NO INTERIOR ERAM PESSOAS INFERIORES AS QUE MORAVAM NA CIDADE GRANDE. MAS QUEM FAZ O A POPULAÇÃO SE SENTIR ASSIM É O PRÓPRIO AMINISTRADOR PÚBLICO. O PREFEITO DE PARAGOMINAS JUNTAMENTE COM O SEU ANTECESSOR SÍDNEY ROSA, FIZERAM UMA REVOLUÇÃO NESSE MUNICÍPIO DE BELÉM. É IMPRESSIONANTE COMO A MAIORIA DOS PARAGOMINENSES SENTEM-SE ORGULHOSOS DESSA CONQUISTA. TRABALHEI NESSA ADMINISTRAÇÃO, EXATAMENTE NO SETOR DE TRÂNSITO. TIRO O CHAPÉU PARA OS MEUS AMIGOS DO DEPARTAMENTO MUNICIPAL DE TRÂNSITO DE PARAGOMINAS, À TODA ESSA MUDANÇA, POIS TODOS ABRAÇARAM O OLHAR DO PREFEITO. A GENTE SENTE QUE O PARAGOMINENSE HOJE É APAIXONADO POR ESSA CIDADE.QUANDO O GESTOR QUER ELE FAZ E DEIXA A SUA MARCA NA HISTÓRIA. E ADNAN FEZ! PARABÉNS PARAGOMINAS!
Eu que tive a oportunidade de acompanhar esse desenvolvimento da cidade de Paragominas, me sinto muito orgulhoso de ter um exemplo saindo desse nosso imenso Pará, Parabéns a PMP na pessoa de seu competênte e dinâmico gestor Adnan e as instituções parceiras e de modo especial aos colegas do SEBRAE/PA, que não tem medido esforços em prol do desenvolvimento e fortalecimento dos pequenos negócios em Paragominas e região.
O projeto é pivô de um imbróglio em Paragominas, no Pará, à margem da Belém-Brasília. Os documentos oficiais do município perpetuam um erro – informam que o traço urbano é resultado de uma planta de Lucio Costa, “a qual havia concorrido, junto a outras, para o projeto de construção de Brasília, classificando-se assim em quarto lugar”. Os desenhos teriam sido presenteados, em 1958, ao fundador da cidade por Jofre Mozart Parada, geólogo muito próximo a JK. Houve, portanto, uma involuntária troca de autoria. Apresentado à confusão, Márcio Roberto, filho de um dos autores do projeto que obteve o terceiro lugar no concurso, parece perplexo. “Que absurdo”, diz. “Mas naquele tempo não havia mesmo muito respeito a direitos autorais.” Maria Elisa Costa, filha de Lucio, também nunca ouvira falar da história. A falsa informação é repetida na justificativa do projeto de lei nº 554, de 2007, que tramita no Congresso, para a criação de uma zona de exportação em Paragominas. Pode-se constatar a semelhança dos croquis de 1957 com o traçado de Paragominas por meio do Google Earth.