Confresa

Por  André Spinola*

Colocar o pé na estrada para conhecer de perto os desdobramentos e resultados dos projetos da UDT é uma premissa de trabalho. Além de melhorar a gestão, oxigenar a mente, ampliar a rede de relacionamentos, nos deixa mais sensíveis às dificuldades enfrentadas pelos gestores de desenvolvimento territorial para desbravar esse nosso imenso país. Isso sem falar nos empreendedores, bastante carentes de informação e capacitação.

Nessa minha primeira visita a um dos Territórios da Cidadania apoiados pelo Sebrae, estive no Norte Araguaia, MT, nos municípios de Confresa, pólo da região, e Querência. Apesar de estar no mesmo território, são municípios de realidades bem distintas. Devido à falta de políticas públicas, à distância de grandes centros e precariedade de produtos e serviços, a região chegou a ser apelidada de “Vale dos Esquecidos”.

Confresa, com seus 18 anos de vida e cerca de 35 mil habitantes, ainda é uma cidade com estrutura em consolidação. O crescimento econômico está presente de forma consistente e os pequenos negócios, urbanos e rurais,são parte importante disso. Veja AQUI alguns dos indicadores ligados à economia e os comparativos entre o município, o território, o estado e o Brasil.

Alguns indicadores locais e regionais.

E por incrível que pareça, existe um vôo que liga Brasília a Confresa, passando por outras 3 cidades muito pequenas. Sinal dos tempos.

Pude visitar o projeto Balde Cheio, que leva tecnologia a produtores rurais, ampliando sua produtividade, com técnicas que vão desde a melhoria na alimentação do gado até a otimização das áreas de pastagem, passando pelos controles de reprodução. Sucesso total, lucratividade em alta dos participantes. Pronto para ganhar uma maior escala. Vale destacar que o próprio secretário de agricultura do município, o Pereira, é um dos técnicos do projeto.

Numa conversa meio informal, conheci o Batista, produtor de orgânicos, apoiado pelo Sebrae. Nos contava que estava mudando para uma chácara, bem maior que a casa onde mora, onde ampliará seu cultivo. Satisfeitíssimo com os resultados da sua produção, perguntei ao colega João Pedro, gerente do Sebrae na região, quanto ele

Uma das ferramentas do "Balde Cheio"

agregava de valor aos seus produtos pelo fato de serem orgânicos. Pasmem, nada! Como as vendas eram exclusivamente para o mercado local, já que Cuiabá está a 1.200 km de distância, a população ainda não conseguia ver nesse tipo de produto uma valor agregado. Se fosse em Brasília, nos custaria pelo menos 50% a mais. Mesmo assim ele não desiste e adota a qualidade como filosofia de produção.

Outra coisa boa de fazer essas visitas é que elas nos devolvem um pouco da vida real, embaçada pelo ritmo frenético do dia a dia nas grandes metrópoles. A cordialidade das pessoas, a informalidade das relações, o valor da palavra. Por outro lado, não restam dúvidas que falta muita coisa em termos de informação e capacitação. Políticas públicas e serviços públicos, para nós corriqueiros no dia a dia, por lá ainda são novidades. Já tinha me esquecido de como é pagar R$ 2 por um refrigerante num hotel e R$ 7 num bom sanduíche feito a moda antiga. É bom para não nos deixarmos corroer pela ganância alucinante da cidade grande e nos manter cientes do valor real das coisas no nosso dia a dia.

Em referência ao "Vale dos Esquecidos", a "Agência da Esperança"

Por fim, uma rápida reunião com o professor Wiliam, reitor do campus Confresa do Instituto Federal do MT, inaugurado há pouco mais de 2 anos. Numa parceria com o Sebrae, a instituição compra cerca de 30% das suas necessidade do mercado local. Alimentação e construção civil são dois itens fornecidos por empresas da região, com contratos que passam de R$ 1 milhão.  E estão planejando ampliar isso, conforme apresentação feita no Fomenta de Querência, assunto do próximo post.

* André Spinola é gerente da Unidade de Desenvolvimento Territorial