O município do Rio de Janeiro sempre foi muito importante para o Brasil. O Rio é a segunda maior cidade do país e possui o segundo maior PIB entre os municípios brasileiros. Foi nomeada capital da Colônia em 1763 e, em 1960, época em que a Cidade Maravilhosa vivia o glamour da Bossa Nova, deixou de ser a capital da República, com a inauguração de Brasília. No entanto, por o Rio de Janeiro ser a sede do poder durante tanto tempo, acostumou-se a relegar as decisões estaduais e municipais à esfera federal.
Assim, alguns anos mais tarde a cidade viveria uma fase de decadência que se agravaria em 1980, na qual uma combinação de ausência do Estado, falta de políticas públicas e inchaço populacional tornaria a cidade a capital nacional da ilegalidade e as favelas em espaços comandados pelos poderes paraestatais, marcados pela violência armada e pela regulação da vida dos moradores das comunidades. A cidade maravilhosa havia se transformado em “cidade partida”, conforme descreveu Zuenir Ventura.
As favelas, por sua vez, também fazem parte da história brasileira. Surgiram em 1900, aproximadamente, na época da Guerra dos Canudos, na qual os soldados, que retornaram ao Rio de Janeiro, deixaram de receber o seu salário e, sem condições de adquirirem propriedades na cidade, acabaram se instalando em morros da capital. Desde então, houve políticas pontuais do governo em relação às favelas, no entanto tais ações eram marcadas pelo preconceito e não visavam a integração econômica e social das comunidades à cidade do Rio de Janeiro. Diferenciava-se o “morro” do “asfalto”, ao invés de tentar integrá-los.
As favelas, em particular as da cidade do Rio de Janeiro, consistiam em aglomerados dentro da cidade, normalmente situadas em morros ou áreas de risco, que abrigavam uma população mais pobre e marginalizada. Eram caracterizadas por habitações precárias, pouca ou nenhuma segurança pública, falta de serviços sociais básicos, e predominância do comércio informal e o ilegal, domínio de poderes criminosos armados.

